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Ajuda na batalha contra o câncer

history terça-feira, 4 de dezembro de 2018     folder Notícias

 

De uma mesa embaixo de uma escada a uma cadeira no Conselho Gestor do Instituto Hospital de Base. Em 22 anos, a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Brasília cresceu ajudando muitas pessoas, a maioria delas, mulheres. O trabalho vai da conversa e o apoio emocional à doação de cestas básicas, perucas e próteses mamárias.

Tudo começou em outubro de 1996, quando a fundadora e desde então presidente, Maria Thereza Simões Falcão, teve a iniciativa, a partir de um convite da Rede Feminina nacional, de trazer o projeto para a capital. “Cheguei ao Hospital de Base, fiz a minha proposta, eles concordaram e me deram uma mesa embaixo de uma escada”, lembra Maria Thereza.

A partir de então, as pessoas se interessaram e a rede ganhou mais espaço. Um dos primeiros trabalhos foi a reforma do quinto andar do hospital, que havia passado por um incêndio. O pavimento passou a ser a nova sede da organização e lá continuou até 2007, quando ganhou um espaço maior no térreo do edifício.

“Atuamos dando celeridade no que puder ser feito nesse estágio de sacrifício tão grande. É o nosso papel fundamental”, explica Maria Thereza. “Vemos dramas de todos os tipos. A mulher descobre o câncer, chega ao hospital e a gente procura dar um apoio tanto emocional quanto material”, completa.

Mais de 300 pessoas trabalham como voluntárias, revezando-se de domingo a domingo. Todas são comandadas pela coordenadora Vera Lúcia Bezerra da Silva, ou apenas Verinha, e atuam em diversos setores do hospital: ambulatório, sala de quimioterapia, radioterapia, pronto-socorro e Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Além disso, 26 projetos dão apoio tanto a pacientes quanto a acompanhantes e cada um nasceu a partir de uma história.

Uma das que mais emociona Verinha é o Beija-Flor, voltado para quem está em estágio terminal. Todo mês, um paciente é sorteado para ter um sonho realizado. “Em 2012, uma menina de 16 anos chegou à nossa sala e disse que tinha o sonho de ir ao shopping e comer um sanduíche”, conta Verinha. “Aquilo me emocionou e nós corremos atrás de realizar. Precisei movimentar médicos, enfermeiros e ambulância. Aqueles foram os momentos mais felizes dela antes de partir”.

O lanche dos acompanhantes também foi ideia de Vera. Ela conta que, certo dia, andando pelos corredores do hospital, foi abordada por uma mulher lhe pedindo café. A senhora, que tinha saído do interior de Minas Gerais para acompanhar o filho, internado, sentia falta da bebida quente. Aquilo trouxe a inspiração para a distribuição diária de 100 pães e 200 copinhos de café aos acompanhantes. Somando aos lanches dos pacientes, são 300 todos os dias.

Cesta básica

As pessoas ajudadas pelo grupo enfrentam, além da doença, situações de vulnerabilidade, como dificuldades financeiras. Para que possam focar no tratamento, alguns aspectos sociais recebem assistência da rede. A distribuição de cestas básicas é um deles (cerca de 200 por mês). A ação começou em 2001, depois de Vera perceber que uma paciente sempre guardava metade do almoço. Quando quis saber o motivo, ouviu a mulher dizer que levava a comida para os filhos, que não tinham o que comer em casa. “Nosso público é carente. São mulheres abandonadas, que são pai e mãe. Elas estão preocupadas com o câncer, com o aluguel e outras coisas”, observa Vera.

Maria Socorro Lopes é uma delas. De pé em frente à porta cor-de-rosa que dá acesso à organização, a mulher de 39 anos pedia informações para receber a cesta. Dos nove irmãos, coube a ela a tarefa de cuidar e acompanhar a mãe, de 72 anos, com câncer de pulmão em estágio terminal. “Eu trabalhava como cozinheira, mas fui mandada embora porque precisava ajudar a minha mãe. Apresentei atestado, mas o meu chefe não aceitou porque não era eu a paciente”, lamentou Socorro, em lágrimas.

Mãe e filha em Vicente Pires, com o marido de Socorro e os dois filhos pequenos do casal. A renda da família se resume à aposentadoria da idosa e o pagamento dos trabalhos temporários do marido, ajudante de pintor. “Mês passado, a mamãe passou por uma cirurgia para retirada de um tumor no cérebro. O câncer se espalhou do pulmão e ela precisou ser operada. Está muito difícil, estamos nessa situação desde agosto”, relatou Socorro. Para os próximos dias, os voluntários da Rede prometeram uma cadeira de rodas para ajudar a diminuir as dificuldades.

Doações para o Natal

A Rede Feminina de Combate ao Câncer precisa de doações para o Natal deste ano. Além das 200 cestas básicas, a instituição quer doar 200 cestas de Natal. Por isso, precisa de perus, chesters e frangos. Outra meta é realizar, em 21 de dezembro, quando as cestas serão doadas, um almoço para os pacientes do ambulatório do Hospital de Base. Um bazar fixo funciona no hospital e ajuda a manter o grupo. Quem quiser ajudar pode doar roupas, sapatos e brinquedos. Tudo é vendido por um preço simbólico e qualquer doação é bem-vinda. No site www.redefemininabrasilia.org.br há informações para transferências bancárias. Também por lá, quem quiser se voluntariar pode fazer um cadastro. O único requisito é tempo livre e vontade de ajudar.

"Atuamos dando celeridade no que puder ser feito nesse estágio de sacrifício tão grande. É o nosso papel fundamental.”

Maria Thereza Simões Falcão, presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer em Brasília

"Ver uma menina de 16 anos com câncer te choca, mas, mesmo assim, aquela pessoa é capaz de sorrir. Isso é um aprendizado diário.”

Wilma Alvarenga, voluntária

Voluntários aprendem com doentes

Na véspera do Dia Internacional do Voluntariado (5 de dezembro), a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Brasília tem muito a comemorar. A cada dia, mais pessoas querem fazer parte e participar da instituição. Os funcionários são de todas as idades. “Eles chegam aqui falando que querem ajudar. Mal sabem que, no fundo, são eles que vão receber ajuda. O paciente ensina sem saber que a gente precisa aprender”, comenta Vera Lúcia Bezerra da Silva.

A coordenadora da instituição foi uma voluntária da instituição. Em 1997, buscando um lugar onde pudesse fazer algo pelo próximo, ela largou o trabalho em um órgão público. Com o tempo livre, começou a acompanhar uma amiga em tratamento contra o lúpus, no Hospital de Base. Após a morte da amiga, Vera se viu em uma profunda tristeza, mas recuperou a energia quando se juntou à Rede Feminina. “O nosso maior desafio não é doar, mas fazer que os pacientes tenham consciência de que o câncer não é o fim da sua vida”, afirma.

Olindina Nunes, 38, se juntou ao projeto em agosto. Toda segunda-feira, ela veste o jaleco rosa, uniforme dos voluntários, e se dedica ao trabalho no Hospital de Base. Nos demais dias da semana, trabalha no canal no Youtube em que divulga vídeos sobre marketing digital. “Cheguei aqui querendo doar o meu cabelo, mas acabei doando meu tempo”, conta. O grupo faz doações de perucas para quem perdeu os fios devido ao tratamento com químico e radioterapia.

A aposentada Wilma Alvarenga, 60, ingressou na Rede na mesma época. Ela era voluntária em outro projeto, mas quis fazer mais. “Ver uma menina de 16 anos com câncer te choca, mas, mesmo assim, aquela pessoa é capaz de sorrir. Isso é um aprendizado diário”, emociona-se. Wilma e Olindina são responsáveis por cuidar da “árvore de lenços”, projeto que distribui gratuitamente 40 lenços por semana. “Tem mulher que fica envergonhada de pedir, então a gente distribui”, explica Wilma.

A instituição também produz e entrega próteses mamárias para quem precisou retirar uma das mamas. Elas são feitas de forma artesanal, com espuma. O enchimento são meias cheias de alpiste. “As pacientes até preferem essa do que aquelas feitas de silicone, porque são mais leves e elas podem lavar em casa. Isso aumenta a autoestima de uma forma muito grande, o que é fundamental para a cura”, reflete Vera. Por ano, cerca de mil próteses são doadas.

Fonte: Correio Braziliense