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Envelhecimento da população do DF alerta para casos de Alzheimer

history quarta-feira, 8 de novembro de 2017     folder Notícias

 

Na capital federal, a tendência de aumento do Alzheimer é motivo de alerta para médicos. Alguns consideram que o mal é uma epidemia anunciada. A explicação está numa característica populacional que chama a atenção: o DF tem cada vez mais idosos. E a idade é um dos fatores de risco para a enfermidade. A estimativa é que os diagnósticos tripliquem, até 2050. A Academia Brasileira de Neurologia (ABN) avalia que o Alzheimer afeta 7,2% da população idosa. Em algumas capitais, como Brasília, o índice chega a 14%. Aos 60 anos, apenas 2% das pessoas têm a doença. A partir dessa idade, essa prevalência dobra aproximadamente a cada sete anos, a tal ponto que, aos 80 anos, 30% dos indivíduos tenham a doença e, aos 90, 50% a desenvolvam. Os dados serão lembrados na próxima quinta, 21 de setembro, Dia Mundial do Alzheimer, criado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para esclarecer e conscientizar as populações sobre o mal.

A preocupação dos médicos brasilienses fica ainda mais evidente ao analisar os gráficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É que o índice de envelhecimento, ou seja, o número de pessoas de 60 ou mais, para cada grupo de 100 pessoas jovens de 15 anos de idade, está aumentando. Atualmente, 6,81% da população da capital tem 65 anos ou mais. Há 10 anos, em 2007,  eram 4,2%. Daqui a 13 anos, em 2030, segundo projeção do IBGE, esse número pode chegar a 11,68% da população. Mudança As mais recentes estatísticas populacionais da capital federal revelam como o perfil dos habitantes dos moradores da cidade tem mudado. Enquanto a população idosa cresce a passos largos, o número de jovens tem diminuído consideravelmente. Hoje, eles representam 32,5%. Daqui a cinco anos, em 2022, eles serão 28,8%. Em 2030, essa parcela da sociedade representará 25,5% da população do DF.

Sinais de alerta

Os pacientes afetados pelo mal de Alzheimer normalmente têm perda de memória, problemas com tarefas familiares, confusão com tempo e localização, mudança na personalidade, dificuldade para solucionar problemas, confusão com imagens e espaços, dificuldade com palavras, julgamento empobrecido, abandono de atividades sociais e perda de objetos.

Escalada crescente  

Índice de envelhecimento em ascensão no DF

2016     31,09

2017    33,29

2018    35,56

2020    40,23

2025    52,68

2030    68,07

Índice de envelhecimento, ou seja, de pessoas com 60 ou mais, por grupo de 100 pessoas menores de 15 anos de idade.
Fonte: IBGE

Poucas certezas

Ainda há dúvidas sobre as causas do Alzheimer. Uma das certezas é que a genética é um dos fatores influenciadores. O sistema nervoso central produz uma proteína chamada apolipoproteína E (ApoE). Essa proteína tem algumas subformas, e a presença do alelo E4 do gene da apolipoproteína E (ApoE4) é considerada fator de risco elevado para o desenvolvimento da doença. Outros fatores, além da idade, são a presença de radicais livres (chamado stress oxidativo), diabetes, traumatismos cerebrais e elevação da homocisteína, um aminoácido presente no sangue que está relacionado com o surgimento de doenças cardiovasculares. No mal de Alzheimer, há uma redução importante do neurotransmissor acetilcolina. Por que os casos estão cada vez mais frequentes? Em mais da metade dos casos, o fator de risco é a idade. Se eliminarmos os casos genéticos, eles representam apenas 7%. A cada sete anos, a partir dos 60 anos, dobra-se a probabilidade dos casos. Esse fator não tem como eliminar, a cidade está ficando cada vez mais velha.

O Alzheimer é a mais comum, mas temos que ter atenção com todas as demências. A velocidade do envelhecimento populacional é muito maior em países em desenvolvimento. Mesmo para os fatores modificáveis, temos que ter políticas públicas mais eficazes. Embora não exista cura, há tratamento? A doença é pouco conhecida até mesmo no meio médico. A maior parcela dos pacientes não é diagnosticada na fase inicial. Quanto mais cedo, melhor será o tratamento. Os remédios minimizam os impactos da doença. Diminui o sofrimento da pessoa e de quem está em volta. Existem políticas públicas para a população com demência? Alguns países no mundo estão traçando planos para controle das demências. O Brasil nem sequer começou seu plano de demência. As iniciativas ainda são muito pequenas. Os atores que estão falando disso ainda estão começando a conversa. Não é que não exista ação implantada, não existe mesmo é a estratégia. As únicas coisas que existem são a Cartilha do Idoso e a disponibilização de alguns remédios. (OA) Drama abala famílias Quem convive com pessoas que têm Alzheimer sabe das dificuldades. Tarefas cotidianas e muito simples se tornam um calvário. A aceitação da doença também não é fácil.

A costureira Rose da Silva, 73 anos, criou cinco filhos e sempre foi conhecida como uma mulher agitada. Essa realidade mudou há cinco anos. Ninguém, na família, nunca desconfiou ou percebeu os sintomas. “Ela estava fazendo exames de rotina quando o médico suspeitou. É difícil, porque aos poucos tudo vai se perdendo ou se confundindo na memória dela. Ter dificuldades para reconhecer filhos ou netos é muito doído”, conta uma das filhas de Rose, a professora aposentada Nilcéia Moreno da Silva, 50 anos. Para retardar o avanço dos danos e aprender a lidar com a doença, mãe e filha participam de um grupo de apoio. “Atualmente, ela tem assistido muito à televisão. Essa é uma das muitas coisas que mudaram”, conta Nilcéia. Hoje, os filhos e netos se revezam nos cuidados com Rose, que não abre mão de morar sozinha. Rose não fala sobre a doença. Fica irritada quando perguntam. Nilcéia acredita que a resistência pode estar ligada à falta de campanhas e esclarecimentos sobre o mal. “As pessoas não conhecem a doença, e o preconceito prejudica médicos e pacientes”, pondera a moradora do Núcleo Bandeirante. 

Fonte: Correio Braziliense